A história de uma mulher igual a nós que falava sobre o que nós vivíamos.

A história de uma mulher igual a nós que falava sobre o que nós vivíamos.

Me chamo Mayara Faria, nasci em Almirante Tamandaré PR, vim de família humilde, não tenho pai e como 5 anos de idade minha mãe foi morar num assentamento recém fundado em nossa cidade.

Como todos na comunidade vivíamos de maneira simples, com o mínimo de saneamento, gatos para todos os lados e dificuldades.

Entre trabalhos de casa e cuidar da minha irmãzinha bebê para ajudar minha mãe, que sempre trabalhou fora pois ela era o chefe da família era muito importante ir para a escola, sempre fui muito curiosa e adorava ler livros, e na biblioteca da escola encontrei o livro da Carolina Maria de Jesus, meio atípico para uma criança, mas ali tinha uma história de uma mulher igual a nós que falava sobre o que nós vivíamos.

Foi a partir desse livro que comecei a me interessar pela justiça social, minha mente se abriu para pensamentos de um futuro melhor para a comunidade que eu via que era possível.

Conheçam um pouco da história da Escritora Carolina Maria de Jesus com seus filhos.

Reconhecida internacionalmente por sua obra “Quarto de despejo”, Carolina Maria de Jesus (1914-1977) é conhecida no Brasil como a mulher negra, pobre e favelada que conseguiu realizar o sonho de tornar-se escritora, tendo sua obra traduzida em 13 idiomas e vendido mais de 100 mil exemplares. Migrante de Sacramento, Minas Gerais, mãe solo, catadora de papel e moradora da primeira favela de São Paulo, a Canindé, Carolina escrevia a sua história e a de outros moradores da favela em cadernos que recolhia no lixo. Eram relatos sobre a miséria, a fome, o preconceito de quem tem a voz silenciada diariamente e a dignidade subtraída a cada vez que precisa retirar do lixo o seu sustento.

Semianalfabeta, a autora dizia que escrevia quando não tinha o que comer e que denominava a favela de quarto de despejo porque era ali que os pobres eram jogados, como trastes velhos. Ela sonhava viver em uma casa “residível” e acreditava que era por meio dos livros que se adquiriam boas maneiras e se formava o caráter. Descoberta pelo jovem repórter Audálio Dantas, Carolina Maria de Jesus teve seu primeiro livro publicado em 1960 e rapidamente alcançou o sucesso, saindo da favela e ganhando o mundo. Esse sucesso, porém, não apagou o preconceito social e racial que marcaram toda a sua vida e a autora morreu pobre e esquecida em um sítio na periferia de São Paulo. Dona de uma história marcada por muita luta, durante a vida Carolina Maria de Jesus lutou pela sua sobrevivência e a de seus filhos, enfrentou a fome, a miséria, o preconceito racial e social e batalhou pela realização de seu sonho. Hoje, uma outra luta ainda marca sua história: romper o preconceito em torno de sua cor, sua origem, seu nível de instrução, e ter seu nome de fato reconhecido dentro de nosso cânone literário.

Essa mulher representou a luz no fim do túnel para a jovem sonhadora Mayara, nascida e criada em comunidade, mulher, sem pai e negra.

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