Nossas mentes e os desafios que elas nos impõem

Nossas mentes e os desafios que elas nos impõem

O tema foge um pouco do empreendedorismo mas vale a pena ler sobre como nosso cérebro se desenvolveu para, quem sabe, aumentar nosso autoconhecimento, autocontrole e entendimento sobre como agimos, e de quebra, entender melhor os outros também, melhorando nossa resiliência e relacionamentos. E, também, porque antes de empreendedores, somos gente!

Daniel Goleman em 1995 escreveu o livro que trouxe à tona um tema pouco debatido até então de múltiplas inteligências (ao que retomarei em outro texto). É sobre a primeira parte do seu livro que quero falar aqui: os estudos sobre a arquitetura neural, isto é, sobre como a nossa mente racional se desenvolveu. Basicamente os estudos mostraram que existe uma parte “primitiva” do cérebro (chamado de sistema límbico) que é a base sobre a qual cresceu a estrutura seguinte responsável pelo raciocínio (chamado de neocortex ou cérebro pensante). A primeira cuida das funções vitais (respirar, cuidar do funcionamento dos órgãos) e das “respostas automáticas” (lutar ou correr quando em perigo, por exemplo); já a segunda é responsável pelas nossas capacidades de planejar, aprender, avaliar alternativas, ter memória, dar sentido às coisas etc., o que, ao longo do tempo, nos torna mais espertos nas nossas escolhas e mais adaptáveis a novos cenários. O neocortex ainda nos permite entender e ter sentimentos sobre coisas abstratas como ideias, arte, símbolos; e nos permite pensar sobre o que pensamos e porque pensamos o que pensamos, ou que sentimentos temos sobre os nossos sentimentos. Doido demais, mas maneiro.

Do equilíbrio perfeito ao sequestro da amigdala (a do cérebro, não a da garganta)

Normalmente existe um equilíbrio entre essas partes racional e emocional do cérebro. Quando você ouve a voz embargada de alguém e vê um olho marejado enquanto essa pessoa conta uma história, você entende melhor como aquilo a afetou: a mente emocional complementa a informação captada pela mente racional, refinando o entendimento e nos fazendo ter empatia. De outra forma, quando falta algum tipo de emoção que corrobore o que está sendo falado, aquilo gera um sinal de alerta: a contradição indica que é bom analisar o que está acontecendo. Quando em equilíbrio, essa complementariedade nos auxilia a entender o mundo e decidir como agir. O diabo é quando acontece o tal sequestro da amigdala.

“Sequestro da amigdala” foi a forma como Joseph LeDoux denominou as explosões emocionais que vivenciamos. Essa amigdala não é aquela que a gente tira da garganta, mas uma que fica no cérebro no sistema límbico (aquele mais primitivo). LeDoux mostrou que existe um atalho que conecta nossos sentidos (visão, olfato, audição…) à amigdala, e que as informações que capturamos por eles chegam segundos antes ao sistema límbico do que no cérebro racional (o neocortex). Nesse momento, ocorre uma checagem: “Isso é algo que odeio? Que machuca? De que tenho medo? Que me lembra algo engraçado?”, dependendo das experiencias passadas, um sinal de alerta é ativado e a gente reage sem pensar: Explode, chora, dá risada… É nosso cérebro emocional respondendo antes do racional se tocar do que está acontecendo e direcionar uma ação mais ponderada.

Por que trago isso? Porque a forma como agimos e esses gatilhos de emoção que nem sabemos de onde vêm têm consequências na nossa vida e nossos negócios.

 

Se nossas emoções têm uma mente própria com opiniões independentes da nossa mente racional, é necessário conseguir controlar esses impulsos ou ficamos reféns da mente e histórias passadas. E fala sério: quem consegue andar para frente se fica amarrado à emoções passadas?

Veja, há momentos em que esse sistema é super útil. Se você viu uma ultrapassagem que resultou em um acidente na estrada, ao se ver em uma situação semelhante o sistema límbico vai alertar do perigo e garantir uma direção segura. Essa percepção ali no estomago de que “vai dar ruim” é importante. Por outro lado, se um dia um motoboy falhou numa entrega para você, não dá para passar a vida toda achando que todos eles irão falhar, ou você não expandirá os seus negócios. Experiências ruins com funcionários, parceiros ou até familiares devem fazer com que você estabeleça formas melhores de se relacionar com eles, mas não podem gerar aquela sensação de “não dá para confiar em ninguém”, “tenho que fazer tudo sozinho”,  pois isso não é saudável e também impede você de crescer.

A boa notícia é que se um lado do cérebro ativa sentimentos negativos, o outro desativa. Assim, você que agora conhece o mecanismo pode buscar formas de voltar ao controle. Aqui na Youngers tem uma parceira que entende bem disso: Patricia Loyola! Se sentir que a coisa desandou, faça contato: ela e toda a equipe da Y vão estender a mão e ajudar a achar os caminhos para você reassumir as rédeas da sua vida e do seu negócio.

 

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