Por que a falta de Caixa quebra o seu negócio?

Por que a falta de Caixa quebra o seu negócio?

Você certamente ouviu que muitas empresas quebraram por causa de falta de Caixa como efeito da pandemia, mas o que significa isso?

A lógica do funcionamento das empresas não é muito diferente do que acontece nas nossas casas

Gosto de fazer analogias com o nosso dia a dia familiar: Quando falamos da gestão da nossa casa, ou, em linguagem bonita, do orçamento doméstico, entendemos como a banda toca e então é fácil transpor para o mundo das empresas.

No exemplo que dou a seguir vamos assumir que você tenha um emprego. Nesse caso, a vida familiar funciona assim: você trabalha o mês todo, recebe um pagamento no final e então paga as contas básicas – água, luz, gás, alimentos, celular… Se sobrar um pouco, você pode fazer um passeio, comprar um lanche e… deveria ter a disciplina de poupar um pouco para uma eventualidade, para os imprevistos que atravessam a nossa vida: a geladeira que estraga, o celular que cai no chão, o telhado que sofre danos com a chuva, um remédio que de repente precisamos comprar etc.  Essa disciplina, mesmo que de um valor bem pequeno, é importante pois mesmo em cenário positivo de emprego a vida pode ficar enrolada até a gente conseguir pagar pelos gastos extras que surgem. Isso sem falar que ninguém tem garantia de emprego, então é bom ter uma graninha para não faltar o arroz e o feijão na mesa. Os especialistas recomendam 6 meses de colchão! Não é pouco e por isso a disciplina é necessária.

E o que acontece nos momentos de perrengue? Bom, se você tiver guardado dinheiro pode ser que consiga sair deles sem muito aperto. Mas e quando não tem de onde tirar? Nesse caso, a gente vai pedir dinheiro emprestado (em banco ou com colegas), vai pendurar algumas contas para o mês seguinte, essas coisas. E se a situação se alonga, bom… sabemos como a coisa termina: as contas viram uma bola de neve com cobrança vinda de todos os lados; o banco ou as pessoas não nos emprestam mais; o nome fica sujo e já não conseguimos comprar a crédito ou fiado… e haja estômago e resiliência.

Empresas sem dinheiro em Caixa passam pelos mesmos transtornos que as pessoas

As empresas, como nós, têm uma arrecadação mensal: No nosso caso, é um salário ou pagamento por serviço; no caso das empresas, tudo o que recebem no seu negócio. O dinheiro que a empresa arrecada mensalmente tem que cobrir as despesas (água, luz, telefone, maquinários, salários, pagamentos que deve a fornecedores…) e ainda tem que sobrar para recomeçar o ciclo de produção e vendas. Esse último é o capital de giro. Em uma definição bem simples “capital” = dinheiro, “de giro” = que faz o negócio girar, isto é, que mantém a empresa produzindo e vendendo. Quando o que a empresa arrecada só cobre os gastos (as despesas e contas a pagar), falta “Caixa” e ela fica sem poder comprar insumos para produzir os bens e serviços que comercializa e se manter no negócio.

Mas empresas não têm “poupança” e não podem pedir empréstimos? Claro que sim!

Assim como é importante para as famílias ter uma certa “poupança” para momentos difíceis, as empresas também procuram ter uma reserva em ativos financeiros (recursos em banco, ações…) que têm liquidez (isso é, que viram dinheiro na mão no dia seguinte). Além disso, elas também podem pegar empréstimos em bancos, por exemplo, antecipando receitas que teriam direito a receber no médio prazo (por exemplo, vendas feitas parceladas no cartão de crédito;) ou dando algum bem em garantia. E podem ainda se desfazer de algum ativo (maquina, veiculo) para ganhar um folego na produção. Tudo isso são formas que as empresas (assim como nós) têm de pegar dinheiro em momentos de aperto, mas se a empresa não tiver nada em Caixa (não tiver algum tipo de “poupança”) e a situação se alongar por um período de tempo maior, o mesmo ciclo de empréstimos, juros, dívidas crescendo que nós sofremos faz o estrago na empresa e bum!, ela quebra.

Viver só do giro, sem nenhum planejamento é arriscado, para nós e para as empresas.  Use e abuse de cursos e de mentorias para aprender a gerir o seu negócio.

Em família “viver de giro” significa receber um dinheiro, pagar conta, ter algum divertimento, e partir para o mês seguinte sem se preocupar com economizar; no caso das empresas, é pegar tudo o que entra das vendas e gastar no próximo ciclo de produção e vendas. A questão é que enquanto a maré está boa, a vida é uma maravilha; mas quando o tempo vira e as ondas ficam maiores, nem nós, nem as empresas conseguimos nos manter dentro do barco. É por esse motivo que em cursos de empreendedorismo (como o da Y) é comum recebermos a instrução da regra das três partes para o dinheiro que entra no negócio: uma para reinvestir na sua operação e garantir o próximo ciclo de vendas; uma para o Caixa da empresa- isto é, para esse colchão ou poupança de que estamos falando; e uma para os donos do negócio viverem! Acertar a divisão certa desse bolo é difícil e depende de cada negócio, do tipo de insumo, do mercado em que atua etc., mas a disciplina é válida para todos e pode ser a diferença entre você seguir em frente ou quebrar.

E aqui vale um comentário: se você quebrar, apenas recomece. Lembre-se que empresas grandes e pequenas, antigas e novas, sofreram agora na pandemia e quebraram. Portanto, se elas, que já estão no jogo há mais tempo e têm profissionais no quadro podem sofrer revezes, você também pode! Apenas aprenda com o erro e siga em frente!

Bons negócios e até a próxima.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *