Saúde mental do empreendor na pandemia

Saúde mental do empreendor na pandemia

A pandemia afetou o empreendedor de mil e uma formas: fecha, abre; renegocia dívidas; renegocia salários e jornadas de trabalho; procura formas de atender o consumidor que se trancou em casa ou se viu desempregado; repensa o produto, o marketing, o canal… isso sem falar no caos de ter filhos em casa, com ou sem aula online, querendo atenção 100% do tempo. Fácil sofrer o impacto, o cansaço acumulado e se dar por vencido. Mas quem é empreendedor não pode se entregar, certo? Como lidar com tudo isso?

Como não sou nem empreendedora nem psicóloga falo apenas sobre minha experiencia e do que funciona para mim quando o chão sai de debaixo dos pés. Há coisas que dependem só de mim e outras que envolvem nossos parceiros, familiares e amigos. Aí vai!

Três dicas de estratégia individual:

  1. Sabe aquela coisa de que o rio vai te levar para o mar quer você lute contra a correnteza, quer não? Aceitar que o que “era” não “será mais” é a primeira coisa a fazer para conseguir começar a ver o novo cenário de forma clara. Para mim funciona o velho descarrego de choro no banho. Depois de uma boa lavada na alma, consigo recomeçar.
  2. Buscar informação. O medo toma conta quando a gente não sabe com o que está lidando ou quais são as nossas possíveis ações. Nessa pandemia a primeira coisa que fiz foi me informar sobre o funcionamento do vírus. Meu marido achou um canal muito interessante de um cara que faz um apanhado de pesquisas científicas. Isso nos ajudou muito a entender a importância de reforçar nossas defesas pessoais (com vitaminas, descanso e sol) e de adotar o padrão comportamental preconizado sem grandes questionamentos. É o esquema do rio: eu não gostar das máscaras, da rotina com álcool gel, e de distanciamento só me leva a despender energia desnecessária sobre coisas que são relativamente simples de fazer e não me causam mal.
  3. Atuar sobre o que está ao nosso alcance. Chega uma hora que informação também é demais, acabam sendo “variações sobre o mesmo tema”. Nessa hora, o jeito é direcionar as energias sobre coisas que podemos fazer: no caso dos empreendedores, como mencionei acima, tinha muita coisa para fazer para manter o negócio de pé. O trabalho, mesmo quando muito cansativo, é uma fonte de energia para mim: à medida que tiro um problema da frente ou crio algo novo, ganho fôlego, me vejo mais capaz e resgato a confiança de estar no controle. Entendo que isso é um ciclo virtuoso: quando a gente começa a andar, as coisas começam também a se encaixar, aí a gente se empolga com o que pode construir!

Três dicas de estratégia familiar / coletiva (e aqui sou pior, confesso! Mas não vivemos isolados e reconheço a importância):

  1. Gente, não tem jeito: a vida entre quatro paredes é tensa! Tenho a sorte de ter um marido mega top que divide tudo: um coloca a roupa na máquina, o outro estende; um cozinha, o outro lava louça; um vai ao supermercado, o outro arruma… mas é obvio que ainda assim “dá ruim”. Pia para mim tem que ter louça empilhada dos itens maiores para as menores; copos todos num lado; talheres do outro dentro de um pote. É toque: me deixa irritada mesmo! Então precisei comunicar claramente o jeito “certo” (kkk) de empilhar louça para a família. E se algo tão pequeno gera stress, imaginem o resto! Se a gente não comunicar o que não vai bem, vai pifar. Não tenho dúvida sobre isso. O resultado pode ser pior do que a conversa desconfortável que ficamos evitando.
  2. Criar ou redefinir rotinas. Todo mundo precisa de rotinas para se sentir minimamente confortável e seguro. Da mesma forma, se não sabemos o que esperar das outras pessoas, ficamos ansiosos. Quando o cenário muda, precisamos mudar essas rotinas também. Por exemplo: Digamos que na pandemia você tenha percebido que seus clientes passaram a querer entregas no horário em que costumava fazer as refeições em família. Como a turma em casa espera que a rotina seja mantida, você passa a fazer malabarismo para dar conta de tudo, o que é estafante. Não é muito mais simples conversar, explicar o cenário, e pensar juntos alternativas para continuar a ter saúde física e mental; momentos agradáveis com filhos, pais ou parceiros; e sucesso nos negócios?
  3. Pedir ajuda. Todo mundo passa pelos mesmos perrengues, com maior ou menor intensidade mesmo que uns gostem de se fazer de superiores e dizer que não. Meu primeiro dia sozinha com meu primeiro filho me fez ligar às 5 da tarde para o marido perguntando se ele estava vindo para casa. Não tinha nada de errado, eu só queria ter 10 minutos para tomar um banho e relaxar! Hoje tem milhões de blogs sobre como ser mãe é maravilhoso, mas também é desafiador, rouba sua identidade, liberdade e tempo, mas na minha época não tinha isso. Então é óbvio que eu me sentia a mãe mais incompetente e não-maternal do mundo! Conto isso para dizer que os desafios na família e no trabalho podem ser compartilhados e que isso nos leva a encontrar pessoas passando pelos mesmos dilemas e com quem podemos explorar soluções. Ao pedirmos ajuda, muitas vezes saímos ganhando!

Espero ter contribuído.

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